O que é eletroterapia e quais correntes usar na clínica
Cluster eletroterapia · Artigo 1 de 4
O que é eletroterapia e quais correntes usar na clínica?
Eletroterapia é provavelmente o recurso com melhor relação entre investimento e giro de agenda em uma clínica. O equipamento custa menos que a maioria das tecnologias estéticas, atende fisioterapia e estética com o mesmo aparelho, e resolve desde dor aguda até fortalecimento muscular e permeação de ativos.
O problema é que quase ninguém usa todo o potencial do aparelho que já tem. É comum encontrar clínicas com equipamentos de cinco ou nove correntes usando apenas TENS, porque a equipe nunca entendeu para que servem as outras. Este artigo abre o conteúdo do mês sobre eletroterapia e organiza exatamente isso: o que cada corrente faz e quando usar cada uma.
Conceito
O que é eletroterapia
Eletroterapia é o uso de correntes elétricas com finalidade terapêutica. O equipamento gera uma corrente com parâmetros controlados, ela é entregue ao tecido por eletrodos posicionados na pele, e a resposta do organismo depende de como essa corrente foi configurada.
A parte que importa na prática é esta: não existe uma corrente elétrica terapêutica genérica. Existem formas de onda diferentes, cada uma com um alvo biológico diferente. Uma corrente pode estimular fibras nervosas sensoriais e produzir analgesia, outra pode despolarizar a fibra motora e gerar contração muscular, outra pode empurrar moléculas através da barreira cutânea.
O que define qual efeito você vai obter é a combinação de quatro parâmetros: forma de onda, frequência, largura ou duração de pulso e intensidade. O aparelho é a ferramenta, mas quem produz o resultado é o ajuste.
Três efeitos
Estimulação sensorial, motora ou iônica
Antes de entrar nos nomes comerciais das correntes, vale entender os três grandes efeitos que a eletroterapia consegue produzir. Toda corrente cai em um desses grupos, ou transita entre eles conforme a intensidade.
Efeito 1
Estimulação sensorial
Ativa fibras nervosas sensoriais sem gerar contração. É o território da analgesia. O paciente sente formigamento confortável, não vê o músculo se mexer. Correntes de pulso curto e frequência mais alta trabalham bem aqui.
Efeito 2
Estimulação motora
Ativa a fibra motora e produz contração muscular visível. É o território do fortalecimento, da reeducação muscular e do combate à atrofia. Exige pulsos com energia suficiente para despolarizar a fibra motora, o que costuma significar frequências de burst e correntes de média frequência.
Efeito 3
Estimulação iônica
Aqui não se busca nervo nem músculo, e sim o transporte de substâncias. Correntes monofásicas, que fluem em uma única direção, criam um gradiente elétrico que carrega moléculas ionizadas através da pele. É o mecanismo da iontoforese e da eletroporação.
Regra prática: se o objetivo é dor, pense em sensorial. Se é força ou tônus, pense em motor. Se é entregar ativo, pense em iônico.
Mapa das correntes
As correntes que você encontra nos equipamentos
Abaixo estão as correntes presentes nos aparelhos profissionais do mercado nacional, com o que cada uma resolve. O comparativo detalhado entre elas é tema do próximo artigo deste cluster.
| Corrente | Tipo de estímulo | Característica | Uso principal |
|---|---|---|---|
| TENS | Sensorial | Pulsada bifásica simétrica, pulso curto | Analgesia em dor aguda e crônica |
| FES | Motor | Baixa frequência, com rampa de contração e relaxamento | Reeducação muscular e movimento funcional |
| Russa | Motor | Média frequência de 2,5 kHz modulada em bursts | Fortalecimento muscular com boa tolerância |
| Aussie | Motor ou sensorial | Média frequência de 1 ou 4 kHz, bursts curtos de 2 ou 4 ms | Torque muscular máximo ou analgesia, conforme o ajuste |
| Interferencial | Sensorial e motor | Média frequência cruzada em dois canais | Dor profunda e áreas extensas |
| High Volt | Iônico e sensorial | Monofásica, pulsos gêmeos de alta voltagem e curta duração | Cicatrização, edema, drenagem e eletroporação |
| Galvânica | Iônico | Monofásica contínua, fluxo em uma única direção | Iontoforese e permeação de ativos |
| Microcorrente | Subsensorial | Intensidade muito baixa, na casa dos microampères | Bioestimulação celular e reparo tecidual |
Destaque
Por que a corrente Aussie merece atenção
Vale destacar uma corrente que muita clínica tem no aparelho e não usa. A Aussie, ou corrente australiana, é uma corrente alternada de média frequência entregue em bursts curtos, e ela muda de função conforme a configuração.
Configuração otimizada para produzir torque muscular máximo. É a escolha quando o objetivo é força.
Configuração voltada para analgesia. A mesma corrente, no mesmo aparelho, resolve dor em vez de força.
Para uma clínica, isso significa que um equipamento com Aussie cobre fortalecimento e dor sem troca de recurso. É um dos melhores argumentos para justificar um aparelho multicorrente em vez de um TENS simples.
Indicações
O que a eletroterapia trata
Essa amplitude é o argumento comercial central da categoria. Poucos recursos atendem tantos perfis de paciente com um único investimento.
- →Alívio sintomático de dor crônica
- →Dor pós-traumática aguda e dor pós-operatória
- →Prevenção e tratamento de atrofia por desuso
- →Reeducação muscular após lesão ou imobilização
- →Manutenção e ganho de amplitude de movimento
- →Relaxamento de músculos espásticos
- →Aumento da circulação sanguínea local
- →Edema pós-traumático e pós-cirúrgico
- →Regeneração em compressão de nervo periférico
- →Eletrolipólise para gordura localizada
- →Fortalecimento e tonificação muscular corporal
- →Drenagem linfática
- →Eletrolifting para estrias, rugas e flacidez
- →Permeação de ativos, estática e dinâmica
- →Desincruste e normalização da pele
- →Lesões cutâneas, infectadas e não infectadas
- →Úlceras de pressão e úlceras de pé diabético
- →Linfedema pós-mastectomia
- →Dor e edema crônico de mão e punho
Produtividade
Número de canais: o parâmetro que define a agenda
Este é o ponto mais subestimado na comparação entre aparelhos, e ele impacta diretamente quantos atendimentos a clínica consegue fazer.
Cada canal permite tratar uma região com intensidade própria. Um aparelho de dois canais atende dois grupos musculares ou um paciente por vez. Um aparelho de quatro canais com controles independentes permite tratar quatro grupos diferentes na mesma sessão, com intensidade ajustada para cada um, porque a tolerância varia entre regiões.
Em protocolos corporais de estética, em que se trabalha abdômen, flancos e coxas no mesmo atendimento, ou em reabilitação com mais de um grupo muscular envolvido, o número de canais define se o protocolo cabe no tempo de agenda ou não.
Segurança
Contraindicações
A eletroterapia é segura quando bem indicada, mas as contraindicações precisam estar claras para toda a equipe, não apenas para quem opera o aparelho.
- →Marca-passo cardíaco de demanda ou qualquer dispositivo eletrônico implantado
- →Aplicação sobre a área cardíaca, pelo risco de arritmia
- →Aplicação sobre a região anterior do pescoço ou da boca, pelo risco de espasmo de laringe e faringe com comprometimento das vias aéreas
- →Aplicação sobre os nervos do seio carotídeo, especialmente em pacientes com sensibilidade alterada ao reflexo carotídeo
- →Aplicação sobre a região do cérebro
- →Aplicação sobre ou próximo a lesões cancerígenas
- →Áreas inchadas, infectadas ou inflamadas, e erupções de pele como flebite, tromboflebite e varizes
- →Dor local sintomática sem etiologia conhecida, salvo com síndrome de dor diagnosticada
- →Suspeita de doença infecciosa transmissível, ou quadros em que suprimir calor ou febre é contraindicado
Dois cuidados operacionais fecham a lista. Os eletrodos nunca podem se tocar durante a aplicação, sob risco de estimulação imprópria ou queimadura. E o tamanho do eletrodo importa: a densidade de corrente depende da área do eletrodo, então eletrodo pequeno com intensidade alta concentra energia e pode lesionar.
Linha Neurodyn
Equipamentos de eletroterapia na Hand Shop
A linha Neurodyn, da Ibramed, é a mais vendida da categoria na loja e cobre perfis bem diferentes de clínica.
Estimulador neuromuscular transcutâneo de quatro canais com controles independentes, que trabalha com TENS, FES e corrente Russa. A intensidade chega a 250 mA e a duração de fase é ajustável de 50 a 500 µs. Os quatro canais independentes são o diferencial para quem atende mais de um grupo muscular por sessão. Registro ANVISA 10360310012.
Estimulador de dois canais com controles independentes que reúne cinco correntes: Aussie, Russa, Interferencial Bipolar, TENS e FES. É o aparelho mais vendido da linha na Hand Shop, e a presença da Aussie e da Interferencial em formato portátil explica boa parte disso.
Equipamento de dois canais dedicado a corrente High Volt, com 400 Vp, e corrente Galvânica, com 30 mA. Traz 23 protocolos pré-programados e espaço para mais 20 personalizados. Tem bateria recarregável de lítio-íon e pesa 0,42 kg, o que viabiliza atendimento domiciliar. Registro ANVISA 10360319014.
Você encontra a linha completa, com ficha técnica e condições de pagamento, na categoria de eletroestimuladores da Hand Shop.
Compare os modelos da linha
Veja a categoria de eletroestimuladores e fale com o time comercial da Hand Shop para cruzar as correntes que a clínica precisa com o equipamento certo.
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes
Eletroterapia é o termo mais amplo, que abrange qualquer uso terapêutico de corrente elétrica, incluindo correntes que não geram contração, como a galvânica na iontoforese. Eletroestimulação costuma se referir especificamente às correntes que estimulam nervo ou músculo. Na prática comercial os termos se misturam, mas a distinção ajuda na hora de comparar fichas técnicas.
Resolve analgesia, e só. Ele não faz fortalecimento, não faz permeação de ativos e não atende protocolos estéticos corporais. Para uma clínica que pretende usar eletroterapia como recurso recorrente, um aparelho multicorrente amplia o portfólio de protocolos sem aumentar proporcionalmente o investimento.
Varia muito conforme o objetivo. Protocolos de analgesia podem responder em poucas sessões. Fortalecimento muscular e protocolos estéticos corporais exigem séries mais longas, tipicamente com duas a três aplicações semanais, porque o ganho depende de repetição do estímulo.
Não deve sentir. O estímulo é descrito como formigamento ou contração confortável. Desconforto significativo indica intensidade acima do necessário, eletrodo mal posicionado ou escolha inadequada de corrente. Correntes de média frequência, como Russa e Aussie, foram justamente desenvolvidas para entregar contração forte com menos desconforto.
Os equipamentos são destinados a médicos, fisioterapeutas, esteticistas, biomédicos e demais profissionais da saúde devidamente habilitados conforme a legislação e o conselho de classe vigente. Como as resoluções dos conselhos mudam com frequência, vale confirmar quais procedimentos estão regularizados para a sua categoria.
Continuidade do cluster
Próximo passo
Agora que o panorama está montado, o próximo artigo do cluster compara as correntes em detalhe: TENS, FES, Russa, Aussie e Interferencial, qual a diferença e quando usar cada uma. Se a sua clínica já está avaliando a compra, o time comercial da Hand Shop pode ajudar a comparar os modelos da linha.
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